A cidade e seus meios de locomoção.

Dialogus Consultoria • 23 jan 2013

Sempre achei que só se conhece uma cidade quando se anda a pé, momento em que podemos vê-la mais de perto, enxergá-la melhor, sem filtros. Tento diariamente para que a minha relação com ela seja a mais próxima possível e, na maioria das vezes, esbarro em problemas de mobilidade urbana. Nos últimos meses, dois fatores me deixaram mais atento às questões de ir e vir: produzi um vídeo sobre a mobilidade de uma pessoa com deficiência e sua relação com a cidade, e virei ciclista.

Nos dois casos, passei a ter uma percepção mais aguçada sobre ruas, calçadas, vias e meios de acesso em geral. O problema só não é mais caótico devido à criação de algumas leis que garantem que os meios de transporte, calçadas e estabelecimentos sejam acessíveis para pessoas com deficiências. No caso da bicicleta, ruas são tomadas pelo excesso de carros e motos, e não existem ciclovias centrais, assim, somos obrigados a competir deslealmente com motores potentes e poluidores.

Durante as entrevistas para o documentário “Livre Acesso para a Vida”, a personagem Tatiana Oliveira, que tem limitações motoras desde o seu nascimento, relatou uma série de dificuldades na mobilidade urbana. Um fator que ela destacou são os desníveis das calçadas que dificultam e muito a locomoção. E uma das coisas mais absurdas relatadas é que algumas pessoas acham que ela deveria ficar em casa, já que a cidade não oferece meios de locomoção adequados para quem usa muletas. Além das pessoas com algum tipo de deficiência, asseguro como pedestre ou mesmo ciclista que as falhas na mobilidade urbana são grandes.

Somado a isso, temos um transporte público ineficiente, explicado inteligentemente pela bike Repórter, Renata Falzoni em um vídeo sobre mobilidade urbana. Além da lotação dos ônibus, temos inúmeras rotas que não atendem de forma efetiva e nem cobrem diretamente todos os bairros da cidade. Se a mobilidade urbana é um grande desafio para todas as cidades do mundo, posso afirmar que Fortaleza carece de políticas públicas que cumpram os quesitos básicos que nos proporcione nas devidas condições de deslocamento dentro da cidade.

 Cesar Teixeira: Jornalista, cinéfilo, ciclista e blogueiro  Meu Blog: Baleiro de Palavras

 

Em vez de agir apenas por impulsos altruístas ou reagir à pressões externas, as organizações podem e devem definir um plano de Responsabilidade Social visando produzir benefício social, bem como ganhos para o negócio. Essa é a visão dos gurus Michael Porter e Mark Kramer, que creem ser fundamental diagnosticar a interdependência existente entre organizações e sociedade, o que pode ser feito com as mesmas ferramentas usadas para analisar posição competitiva e desenvolver estratégias.

Olhando de dentro para fora, a organização é capaz de mapear o impacto social da sua cadeia de valor, representada esta por todas as atividades em que uma empresa se envolve ao fazer negócios. Desse modo, pode-se utilizar a estrutura dessa cadeia como base para a identificação dos impactos positivos e negativos provocados pela organização.

Olhando de fora para dentro, a organização consegue perceber as influências sociais que agem sobre sua competitividade. Além de entender a cadeia de valor, uma gestão eficaz e responsável requer a compreensão das dimensões sociais do contexto competitivo em que a organização se insere e que afetam sua capacidade de melhorar sua produtividade e executar suas estratégias.

Quando uma organização usa a cadeia de valor para mapear todas as consequências sociais de suas atividades, cria, então, um inventário de problemas e oportunidades – principalmente questões operacionais – que precisam ser investigadas, priorizadas e tratadas. Ao abordar o contexto competitivo, a tarefa é identificar as áreas do contexto social com maior valor estratégico. Desse modo, a organização pode escolher as iniciativas sociais que terão o maior valor compartilhado, ou seja, benefício para a sociedade e para a sua competitividade.

Esse ponto de vista sistêmico é compartilhado por outros estudiosos e relaciona-se com o conceito de ecossistema do mercado, entendido como o conjunto das relações que ocorrem entre os componentes do macroambiente, do microambiente, e do ambiente interno da organização. O estudo das interações que ocorrem entre esses componentes constitui uma fonte geradora de maior competitividade, de inovação, de melhorias de processos, produtos e serviços, garantindo, assim, uma gestão socioambiental estratégica e assertiva.

Larissa Cunha – Consultora da Dialogus e Mestre em Administração.

O crescimento dos problemas sociais é a principal causa do paradigma da exclusão social no Brasil, razão pela qual se exige uma nova atitude de todos os atores políticos e sociais. Diante disto, algumas organizações se manifestam como uma alternativa a estes problemas sociais e, de forma progressiva, estão ocupando alguns espaços que eram tidos como exclusivos do governo, pois, devido às suas visíveis limitações como supridor de serviços, o Estado se vê na obrigação de delegar responsabilidades para gerenciamento dos serviços.

Organizações desta natureza, apresentam caráter político e atuam fortemente por meio de ações primordialmente voltadas para uma política social de desenvolvimento comunitário e para a execução de atividades de assistência e serviços nos campos de consumo, meio ambiente, educação de base, saúde, etc.. Tais organizações surgiram por volta da década de 70 no Brasil, interpretadas e caracterizadas como organizações do Terceiro Setor.

Entende-se que o terceiro setor é complementar a um primeiro setor, o governo, que utiliza seu papel regulador no cumprimento das decisões legais, além de estabelecer políticas públicas. Complementa, também, um segundo setor, representado pelo mercado, cujo interesse é regulado pelos indivíduos que deles fazem parte, sem quaisquer referências a bens públicos.

Estas organizações, que serão beneficiadas com um projeto de lei “O marco regulatório da sociedade civil”, o qual busca a regularização da relação delas com o poder público, assim como de um maior controle sobre o repasse de recursos de forma menos burocrática, estimulando uma maior transparência na prestação de contas, fazendo, assim, com que as organizações busquem financiamento junto a outros mecanismos da sociedade.

No Brasil, a raiz das organizações do Terceiro Setor está nos movimentos sociais e políticos de esquerda (Fisher, 1998), os quais surgiram, em grande parte, na resistência ao regime militar. Contudo, apesar da importância dos movimentos sociais no Brasil, assim como no restante do mundo, o surgimento do Terceiro Setor está relacionado com a queda da participação estatal na área social.

Portanto, o Estado brasileiro tem procurado transferir ao máximo a prestação de serviços sociais para a sociedade civil, diminuindo seus custos administrativos. Essa política abriu espaço para o crescimento das organizações privadas de finalidade pública no país e com isso uma pressão maior para a regularização destas atividades.

Entende-se que as características das organizações do Terceiro Setor venham a ser:

• Organizadas: por possuir conselhos e realizar reuniões periódicas, podendo ainda dispor de estruturas internas, com estabilidade de objetivos formais, privadas, ou seja, institucionalmente separadas do governo;

• Não distribuir lucros: ainda que as receitas sejam maiores que as despesas, todo o “lucro” deve ser revertido para a própria organização;

• Autogovernáveis: existência independente do Estado ou de empresas, sendo capazes de administrar as próprias atividades;

• Voluntárias: podendo ser livremente constituídas por quaisquer grupos de pessoas, sendo a atividade da entidade livremente decidida por seus membros.

Maiso Dias – Sócio-Diretor da Dialogus e Mestre em Administração pela Universidade de Fortaleza.

Novo ano, velhas promessas. Quantos dos nossos “novos objetivos” já não fizeram parte da longa lista que elaboramos nos primeiros dias dos anos anteriores? Quanto tempo (ou mais especificamente, anos) precisamos para atingir esses objetivos?

Muitas vezes damos um maior foco ao que queremos e nos esquecemos de todos os procedimentos necessários para atingirmos os nossos objetivos. Em outras palavras, pensamos sempre no “o quê” e nos esquecemos do “como” – além, principalmente, do “porquê”. Esse erro é cometido repetidamente por todos nós, ano após ano, e tem um impacto ainda maior (negativamente) quando levamos esse costume para o cotidiano das empresas. As empresas nada mais são do que um amplificador dos impactos das nossas ações. Isso acaba por delinear o grande desafio da sustentabilidade: mudar pessoas. Esse desafio significa mudar pensamentos, crenças e costumes. Uma empresa agir sustentavelmente significa envolver todos seus funcionários (aqueles que cumprem ordens e prestam um serviço remunerado) em ações éticas, responsáveis e estratégicas, transformando-os em colaboradores (aqueles que agem movidos por uma causa, independente de ordens ou remuneração, agregando valor à empresa).

Sustentabilidade pouco tem a ver com “o quê”, voltando-se mais especificamente para como as atividades são desenvolvidas e o real propósito delas. Notamos isso claramente quando analisamos a definição do tema no Relatório de Brundtland, gerado em 1987 pela Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, chefiada pela primeira-ministra da Noruega, Gro Harlem Brundtland. O relatório, intitulado como “Nosso Futuro Comum”, descreve a sustentabilidade como “o desenvolvimento que satisfaz as necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades”.

Portanto, independentemente de quais serão as suas ações dentro ou fora da empresa, para serem reconhecidas como sustentáveis elas devem contemplar simultaneamente uma preocupação com questões ambientais (respeitar o meio ambiente, no curto ou longo prazo), sociais (ter uma causa que beneficie as pessoas, e não somente o seu bolso) e econômicas (gerar lucros e desenvolver as atividades comerciais).

Um outro ponto tão importante quanto a tríade mencionada (ambiental, social e econômico) é a estratégia. Ações sustentáveis devem ser contínuas e enquadradas em uma estratégia, que delimite ações específicas, responsáveis, prazos, motivos e indicadores (para mensurar as conquistas ou falhas no processo). Caso não seja feita dessa forma, todos nós (pessoas físicas ou jurídicas) jamais conseguiremos atingir os nossos sonhados objetivos, de maneira concreta e contínua, e estaremos fadados a esperar sempre um próximo 1º de janeiro para fazermos mais uma nova lista de velhas promessas.

Rodrigo Tavares – Consultor da Dialogus e Bacharel em Administração de Empresas pela Universidade Federal do Ceará.


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