Colocando-se no lugar do Gestor

Dialogus Consultoria • 25 jun 2013

A coisa mais importante em qualquer organização é saber como orientar o processo criado pelo sonho coletivo. Como vamos dar conta de tornar esse sonho realidade? Como vamos garantir a sobrevivência de nosso projeto tão decisivo para o futuro de nossa comunidade depois de alimentar tantas esperanças e de comprometer tantos recursos?

Essa reflexão nos remete à teia de medos, e, fora do alinhamento, a tendência é perdermos a visão. Sem capacidade de perceber a realidade em toda a sua abrangência, temos a sensação de estarmos entrando em um barco e abandonando o porto sem saber ao certo como enfrentar as tempestades imprevistas do percurso. Estamos diante de muitas perguntas sem respostas.

Como navegadores no tempo dos grandes descobrimentos, é fundamental sabermos que podemos contar com uma bússola, com uma tripulação bem capacitada para enfrentar os eventuais desafios e com os mantimentos de bordo. Então, o que irá acontecer dependerá apenas de nossa capacidade de lidar com o novo!

Existem alguns importantes aspectos da gestão de uma organização que, se descuidados, provocam efeitos a serem sentidos a longo prazo, abalando a sustentação da entidade quando começam a faltar recursos. Todos têm dificuldade de lidar com essa situação, pois gera desequilíbrio e stress aos participantes. Consequentemente, entramos em um ciclo vicioso que nos tira a visão e a capacidade de gerenciar.

Vamos procurar entender quão grande é o desafio de dirigir, coordenar, gerir, gerenciar ou administrar uma organização social que ainda está no modelo excludente:

1. É uma atividade contínua: Tal como um tubarão que nunca para de nadar, o gestor tem uma tarefa permanente. Sempre precisa estar “de olho”, atento, e é responsável pelo que ocorre. Todo dia, tem muitas coisas importantes para fazer, além de precisar resolver desentendimentos, dentre outras tarefas pouco prazerosas. Enfrenta um desgaste físico e emocional que lhe impede a visão da realidade.

2. É uma função dinâmica: Como uma bola de neve, os recursos vão crescendo e, com eles, a responsabilidade. É difícil haver um dia igual ao outro. Algumas vezes, tudo acontece ao mesmo tempo. A responsabilidade que isso representa é grande. Qualquer equívoco pode gerar complicações.

3. É uma tarefa difícil de os outros entenderem: Qualquer dúvida serve para que as pessoas venham a questionar ou ficar insatisfeitas. Facilmente, geram-se fofocas que destroem as possibilidades de sustentação de qualquer projeto.

No modelo autogestor temos outra realidade:

Pela simples postura de tornar o processo descentralizado, esta rotina cheia de imprevistos, desafios e surpresas se transforma no melhor e mais produtivo exercício.

Ao dar oportunidade a todos os participantes de desenvolver suas potencialidades e de aprender a gerenciar a si próprios, teremos o compromisso e o cuidado de todos pelo todo.

Com o conhecimento de si e do próximo, criamos um ambiente de paz e tranquilidade, favorecendo as condições necessárias para que todos estejam de bem com a vida, permaneçam atentos e evitem desastres e incompreensões.

Ao vivenciar a fase de transformação para o novo modelo, aprendemos a viver de maneira diferente, reconstruindo nossos conceitos e, em favor da qualidade de vida de todos, passamos a reconstruir nossa existência.

Ana Norões –  Sócia fundadora da ORP Consultoria em autogestão e do Movimento Teia da Vida.

 

Tendo em vista a ampliação e legitimação crescente de seus resultados, as organizações e movimentos da sociedade civil vêm sendo desafiados a se profissionalizar, por meio da estruturação, do fortalecimento, da sistematização e do aprimoramento dos seguintes processos básicos ou dimensões transversais de funcionamento:

  • Práticas de gestão e planejamento;
  • Estratégias de atuação comunitária;
  • Sistemas de monitoramento e avaliação;
  • Capacidades de parceria e articulação;
  • Poder de influência em espaços públicos;
  • Mecanismos de sustentabilidade financeira.

Tais aspectos compõem o tema abrangente do desenvolvimento institucional, que ainda não recebe a devida atenção por parte de muitas entidades e atores sociais, acostumados que estavam, muitas vezes, a receber financiamentos com maior facilidade, disponibilidade e liberdade para gastá-los onde, quando e como achassem mais convenientes.

No entanto, os tempos mudaram e as responsabilidades também. As organizações não-governamentais consolidaram-se e difundiram-se, no Brasil e no mundo, como agentes fundamentais e imprescindíveis para a solução dos problemas sociais, ambientais e culturais cada vez mais complexos e desafiadores que afetam grande parte da humanidade.

O enfrentamento desses desafios e a construção de alternativas, evidentemente, requerem a participação conjunta, permanente e diferenciada dos demais setores organizados, que incluem o investimento dos governos, a colaboração das empresas, a cooperação das universidades, a representação dos partidos e o amparo das instituições multilaterais.

Mudar o mundo! Esse é o lema maior que inspira e aglutina uma multidão de profissionais, militantes e voluntários que não aceitam e se reconhecem no tipo de sociedade egoísta, violenta, insensível e excessivamente competitiva que impera entre nós e ameaça nosso futuro comum. Combater as desigualdades, preconceitos e injustiças de toda ordem! Essa é (ou deveria ser), em última instância, a razão de ser das associações civis, fundações privadas, entidades religiosas e cooperativas solidárias que integramos ou conhecemos.

Começamos falando da necessidade de profissionalização social e de repente paramos na questão da missão da sociedade organizada frente às crises do planeta, cujo caos se reflete no cotidiano do nosso bairro, da nossa comunidade e às vezes dentro do próprio lar. Isso foi para ajudar a mostrar que não há contradição entre sermos organizados e sermos indignados, entre zelarmos pela gestão interna e cuidarmos da atuação externa.

Pelo contrário, o desenvolvimento técnico-institucional e a militância socioambiental devem caminhar de mãos dadas e passos firmes. As competências executivas (que alguns chamam equivocadamente de burocracia) e as lutas políticas (que às vezes não passam de interesses eleitoreiros) podem e devem buscar – sempre – eliminar seus aparentes antagonismos, partilhar seus sonhos, somar suas forças e multiplicar seus impactos.

 Pablo Robles é Administrador e concludente de Ciências Sociais. Trabalha há 14 anos com ONGs e Projetos Sociais, com histórico de atuação efetiva em 17 entidades da sociedade civil e Diretor Presidente do Instituto Sinergia Socialwww.institutosinergiasocial.org.br –  pablodosocial@gmail.com  


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