Importância do profissional de sustentabilidade nas organizações

Dialogus Consultoria • 30 dez 2014

O mercado internacional passa constantemente por mudanças que geram impactos na sociedade. Atualmente, a Responsabilidade Social Empresarial é pesquisada e analisada por inúmeros autores, dentre Peter Drucker, Michael Porter e Philip Kotler, grandes estudiosos das ciências sociais aplicadas e que fomentam conteúdos riquíssimos para o estudo da gestão de organizações.

Mas afinal, o que é sustentabilidade? Nada mais significa do que você garantir que a próxima geração tenha o mesmo recurso que você possui. No ambiente organizacional isso é traduzido por assegurar que você deixará sucessores capazes de dar continuidade ao desempenho empresarial e à eficiência (ambiental, social e econômica) que a sua geração administrou.

Cresce, então, a procura por profissionais que possuem a visão sistêmica, fácil relacionamento com o público de interesse e capacidade de prever mudanças necessárias para o desenvolvimento sustentável da organização.

Por conta disso, a sustentabilidade permeia todas as áreas da empresa, de forma que é imprescindível a geração de profissionais sustentáveis no R.H, marketing, produção, P&D, etc. Este colaborador tem a consciência de que os resultados auferidos por ele são de longo prazo: melhoria no ambiente interno, valorização da marca, retornos financeiros otimizados, fidelização de clientes, engajamento das partes interessadas, transparência nas ações. A proposta não é se tornar um “ecochato”, mas sim um líder que inspira seus colaboradores a conquistarem resultados tão reconhecidos quanto os seus.

Hoje, a visão sistêmica (geral) desses profissionais tornou-se a maior contribuição para as empresas. Tão fundamental é a presença desses colaboradores nas organizações que desde 2011, a Associação Brasileira dos Profissionais de Sustentabilidade organiza eventos, atividades e disseminação do tema no ambiente corporativo.

Por fim, o diferencial desse agente de mudança é, também, o engajamento com a proposta de valor da organização e a sabedoria que os resultados alcançados dependem de uma rede interligada (cadeia de valor) capaz de gerar impactos positivos na sociedade.

Em geral, os profissionais sustentáveis conseguem:

1. Comprometer-se com a estratégia da empresa;

2. Possuir a visão sistêmica;

3. Entender e engajar seus stakeholders;

4. Conhecer técnicas que mensurem os impactos socioambientais da empresa;

5. Estabelecer ações éticas e transparentes com seu público de interesse e

6. Apresentar resultados sustentáveis (social, econômico e ambiental).

 Artur Freitas – Consultor da Dialogus e acadêmico de Administração pela UFC (Universidade Federal do Ceará).

Em 2013 foi lançado no Brasil o Índice de Progresso Social – IPS, por pesquisadores da Havard Business School, com o objetivo de comparar o crescimento econômico dos países com o desenvolvimento social. Para o professor da Havard, Michael Porter, o Brasil é um país relativamente eficiente em transformar crescimento econômico em progresso social, (estando apenas na média), podendo melhorar ainda mais.

Ações integradas entre Governos, Empresas e Sociedade Civil, tender-se-á, a partir de uma visão holística, ser uma alternativa real para atrelar crescimento econômico e progresso social.

 O Estado do Ceará, necessita aprofundar esta temática, diante do bom momento vivido na economia do Nordeste e em especial na economia cearense. Somente o BNDES e BNB liberaram cerca de 55 bilhões para a Região, fortalecendo os investimentos do empresariado na área de energia, turismo, metalurgia, petróleo e gás . A Ferrovia Transnordestina (em andamento), com investimento de 5,5 bilhões, irá transformar a realidade do transporte de cargas no Estado. O Ceará, ainda se destaca por ser o único, a executar a Zona de Processamento de Exportação (ZPE-CE), onde está orçada a Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP), em US$ 5 bilhões.

 Todos estes investimentos bilionários, também podem se tornar uma mola propulsora para o desenvolvimento social, a partir da Educação, do Esporte e da Cultura, através das Leis de Incentivos Fiscais, fortalecendo as Organizações da Sociedade Civil ou Fundos Específicos, constituídos por lei, a exemplo do Fundo dos Direitos da Criança e do Adolescente.

 As Leis de Incentivos Fiscais, são um excelente benefício dado ao empresariado para a prática de Responsabilidade Social, podendo apoiar Instituições de Ensino e Pesquisa, com doações que poderão ser deduzidas em até 1,5% de seu lucro operacional. A partir da Dedução do Imposto de Renda, as empresas podem optar por usufruírem da Lei Federal de Incentivo a Cultura, popularmente conhecida como Lei Rouanet, agregando suas marcas e deduzindo até 6% do Imposto para o fomento, formação, promoção e preservação de nossa cultura.

Ainda temos, a Lei de Incentivo ao Audiovisual, com possibilidade de dedução de até 3% do IR para produção de obras cinematográficas brasileira, além da Lei de Incentivo ao Esporte que somente no ano de 2013, destinou R$ 269 milhões para difusão e desenvolvimento de diversas modalidades esportivas. No âmbito Estadual podemos citar a Lei Jereissati, permitindo o empresariado a deduzir de até 2% do ICMS sobre Circulação de Mercadorias e Serviços para o Fundo Estadual de Cultura. No âmbito municipal, podemos citar a Leis de Incentivos Fiscais para os Polos Tecnológicos em Fortaleza, permitindo o empresariado: Deduções ou até Isenções do Imposto Sobre Propriedade Predial e Territorial Urbana – IPTU, Desconto de 60% na alíquota do Imposto Sobre Serviço de Qualquer Natureza – ISQN, e Desconto de até 80% na Alíquota do Imposto sobre Transmissão Intervivos de Bens Imóveis (ITBI), se adquirido área no local incentivado.

 Allex Marques – Consultor da Dialogus Consultoria.

As empresas representam sistemas abertos e não podem ser compreendidas isoladamente. São consideradas organismos vivos, pois estabelecem trocas contínuas com o seu ambiente, relacionando-se com infinitas variáveis. Como qualquer ser vivo possui um previsível ciclo de vida: nascimento, crescimento e morte. A morte para alguns pode representar o fim mas, pode também representar o recomeço de um novo ciclo, uma transformação, a mudança de algo que precisa se renovar.

Pode-se dizer também que tal ciclo não se apresenta de forma tão linear, podemos ter os três estágios permeando-se. A cada estágio, a empresa, lida com diferentes desafios para se manter viva e se perpetuar, contudo, isto só é possível com uma cultura organizacional que permita a inovação e gere aprendizado contínuo para se recriar e se adaptar as transformações do seu ambiente.

Como um sistema aberto de interação e relacionamento, as empresas afetam ou são afetadas por outros grupos chamados de stakeholders que constituem seus públicos de interesse são os empregados, os acionistas, os clientes, os fornecedores, os consumidores, os concorrentes, a comunidade, a mídia, a sociedade e o governo, ou seja, todos os públicos que se relacionam com ela direta ou indiretamente.

Os consumidores estão cada vez mais exigentes, optando por produtos de empresas socialmente e ambientalmente corretas. Uma empresa socialmente responsável está preocupada não só em gerar lucro para seus sócios e acionistas, ou em cumprir suas obrigações legais, mas está preocupada em promover a construção de uma sociedade mais humana e justa.

A responsabilidade social se apresenta como um caminho que levará as empresas ao equilíbrio dos três pilares da sustentabilidade: equilíbrio ambiental, justiça social e viabilidade econômica, já que busca valorizar as relações com os seus públicos de interesse. A empresa que não dialoga com seus stakeholders, que não busca ouvir quais os anseios e demandas da sociedade tem sua perenidade comprometida porque provavelmente tem suas operações focadas em resultados de curto prazo, se perdeu em sua estratégia.

Desta forma, a responsabilidade Social se apresenta com uma oportunidade de inovação, no sentido em que as empresas se destacarão no mercado por ter sua marca valorizada e terão um diferencial no mercado. A inovação deve ser a palavra de ordem de toda e qualquer empresa, não focando a inovação somente para as áreas técnicas e de produção, mas para a gestão como um todo, de forma a questionar o modelo de negócio em relação às transformações e necessidades do mercado.

Manoela Silva – Consultora da Dialogus Consultoria.

A sustentabilidade está presente no nosso dia a dia em pequenas ações, como tomar um banho e usar um produto, alterando a forma de utilizar os recursos existentes. O conceito de sustentabilidade está relacionado ao futuro da humanidade, delineando a dependência entre pessoas, planeta e as atividades econômicas. Essa dependência atualmente está desequilibrada devido à alta exploração do Planeta através do grande consumo dos recursos naturais, ou seja, as pessoas estão transformando os recursos em resíduos mais rapidamente do que a natureza consegue regenerá-los.

Segundo a organização não governamental WWF-Brasil, a exigência da humanidade por recursos naturais superou 30% a capacidade da terra. Isso se deve ao aumento da população mundial juntamente com o aumento do consumo individual de recursos. Existe ainda um processo em meio a todo esse crescimento, a poluição e o descarte de produtos derivados do consumo individual.

Para implantar a sustentabilidade no nosso dia a dia, primeiramente precisaremos mudar nossos hábitos cotidianos. Essa mudança exige uma reeducação do pensamento e das ações. O reaproveitamento de materiais, o incentivo a reciclagem, a diminuição da poluição, a racionalização no uso dos recursos evitando o desperdício são alguns hábitos que poderíamos incorporar ao dia a dia para tornar o mundo mais sustentável assim como nossas ações. Essa mudança de pensamento refletida nas ações terá efetivo sucesso quando realizada em conjunto com os demais componentes da sociedade, como governo, empresas e instituições do terceiro setor. As empresas principalmente tem um papel fundamental para a sustentabilidade, pois elas são as responsáveis pela satisfação do consumo humano, seja por meio de bens ou serviços conforme estatística citada no inicio.

De acordo com um estudo realizado pela UniEthos, 69% das empresas brasileiras reconhecem que a inserção da sustentabilidade no planejamento estratégico é uma necessidade. A sustentabilidade é um tema frequentemente debatido entre empresas, governos e sociedade em geral, marcando um avanço no pensamento humano acerca das limitações e responsabilidade de cada geração com relação ao futuro das próximas gerações. Dessa forma, é preciso que cada indivíduo incorpore o papel de agente transformador e promotor da mudança, para que as pequenas ações quando realizadas em conjunto com empresas, governo e demais instituições possam adquirir consistência na propagação da sustentabilidade.

Thays Garcia – Acadêmica de Secretariado Executivo pela UFC e secretária da Dialogus.

Formação da 13ª turma dos Agentes de Responsabilidade Social desenvolvido pela Dialogus em parceria com a conceituada instituição, SESI.

Segundo o Instituto Ethos, Responsabilidade Social Empresarial (RSE) é a forma de gestão que se define pela relação ética e transparente da empresa com todos os públicos com os quais ela se relaciona e pelo estabelecimento de metas empresariais compatíveis com o desenvolvimento sustentável da sociedade, preservando recursos ambientais e culturais para as gerações futuras, respeitando a diversidade e promovendo a redução das desigualdades sociais.

O tema RSE tornou-se fundamental nas organizações de alto desempenho do novo milênio. Não à toa, grandes empresas investem na gestão sustentável como prerrogativa de crescimento contínuo e de longo prazo, como Ypê e Natura. Para isso, é necessária a visão sistêmica do CEO da organização: a sabedoria que a empresa é parte do “guarda-chuva” maior, a Terra. Por conta disso, deve-se ter a preocupação do impacto que sua organização e/ou produto causam no planeta e na sociedade em geral. Tudo está interligado.

A grande questão é como garantir que investimentos em Responsabilidade Social Empresarial possam gerar retornos para a empresa?

Para compreender melhor esta indagação, precisamos dimensionar três retornos possíveis desses investimentos: retorno em branding, engajamento dos stakeholders e retorno financeiro. O primeiro está ligado ao prestígio que a empresa gera com ações sustentáveis, como a Ypê, que sempre teve sua marca atrelada ao desenvolvimento sustentável, desde os sabões biodegradáveis às embalagens mais econômicas e recicláveis, passando pelo sucesso da campanha Florestas Ypê (gerando mais de meio milhão de árvores plantadas).

O segundo é atrelado ao relacionamento que é gerado com os stakeholders ( “públicos de interesse, grupos ou indivíduos que afetam e são significativamente afetados pelas atividades da organização: clientes, colaboradores, acionistas, fornecedores, distribuidores, imprensa, governo, comunidade, entre outros”). Os públicos geram uma relação de ganha-ganha com a organização, se ganha a solução da necessidade pelo viés sustentável e ganha o ofertante (empresa) pela solução dos problemas com retorno financeiro. Além de a sociedade em geral ganhar pela relação oferta X demanda de forma ecológica, social e ambientalmente correta.

Já o retorno financeiro é aquele que gera vantagem econômica a partir de investimentos em RSE, como a Natura que em 2004 lançou campanhas de preservação do meio ambiente e gerou um crescimento de 191,32% em suas ações. Além disso, o aumento de vendas (a partir de modelos sustentáveis de embalagens) é outra vantagem financeira que a empresa gerou com o lançamento da embalagem da linha SOU, sucesso de vendas.

Em geral, ao analisar os retornos desses investimentos possivelmente teremos como respostas o valor agregado da marca e a eficiência de uma gestão sustentável, levando nossas organizações ao sucesso em longo prazo.

Artur Freitas – Acadêmico de Administração pela UFC e estagiário da Dialogus Consultoria.

 

Fórum IEP de sustentabilidade 2014- dias 6 e 7 de novembro, no Centro de Eventos do Ceará, em Fortaleza. Realizado pelo Instituto de Educação Portal (IEP), o evento tem como objetivo conclamar prefeituras, empresas privadas, terceiro setor, instituições de ensino superior e sociedade civil para juntos trabalharem em prol dos ODM – Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, um compromisso da ONU em parceria com 191 países que realizam ações e projetos através dos 8 Jeitos de mudar o mundo.

A ética reflete o comportamento do ser humano que age tomando por base os seus valores. Mais do que isso, pressupõe que o comportamento humano seja dirigido para o bem. A ética organizacional é uma forma da ética aplicada aos negócios. Durante certo período de tempo, a ética empresarial não era levada em consideração, sendo o foco organizacional questões associadas à eficácia dos processos e aos resultados financeiros. Com a mudança desse cenário, a sociedade contemporânea cobra das empresas uma atuação responsável e o consumidor atual tem consciência da efetividade de seus direitos.

O objetivo da ética empresarial é incutir um sentido nos gestores e colaboradores das empresas sobre como devem gerir e realizar o seu trabalho com responsabilidade. Atualmente, a ética empresarial é colocada como uma meta essencial a ser alcançada no mundo corporativo. Portanto, exige das empresas uma nova postura que exponha suas reais preocupações com questões sociais. A cultura ética e sua gestão nas organizações são temas tratados com importância igual ou superior aos próprios resultados, à inovação, à excelência e ao sucesso financeiro. As empresas tornaram-se mais conscientes das suas atividades e das suas responsabilidades, adaptando posturas que visam maximizar os lucros sem prejudicar os restantes agentes econômicos e reforçando a ideia de que as empresas possam contribuir positivamente para a sociedade e, nomeadamente, para todos os seus stakeholders.

A ética organizacional tanto pode incluir questões práticas e bem definidas como a obrigação de uma empresa ser honesta para com os seus clientes como assuntos socialmente mais latos e filosóficos, como a responsabilidade de preservar o ambiente e proteger os direitos dos seus empregados. Percebe-se que é necessário incutir no empresariado a consciência de que ao estabelecer padrões éticos como missão da empresa, o resultado pode não ser imediato, mas significa ter bons negócios a longo prazo. Quando as pessoas trabalham para uma organização que acreditam ser justa, onde todos estão dispostos a dar o melhor de si para a realização das tarefas, onde as tradições de fidelidade e cuidado são marcantes, elas trabalham com um nível muito mais elevado e com orgulho de fazer parte de numa empresa responsável. Os valores ao seu redor passam a fazer parte delas e elas veem o cliente como alguém a quem devem o melhor produto ou serviço possível. Bons negócios dependem essencialmente do desenvolvimento e manutenção de relações de longo prazo e as falhas éticas levam as empresas a perderem clientes, fornecedores importantes e profissionais eficientes. Na atualidade a empresa que quiser ser competitiva e obter sucesso tanto no mercado nacional como no mundial, terá de manter impreterivelmente uma sólida reputação no que diz respeito a seu comportamento ético.

 Thays Garcia – Acadêmica de secretariado executivo e secretária da Dialogus.

De acordo com o Conselho Brasileiro de Voluntariado Empresarial (CBVE), voluntariado empresarial é:

“Uma iniciativa de responsabilidade social de empresas, visando incentivar, organizar, apoiar e reconhecer ações voluntárias de participação cidadã de seus profissionais e demais públicos de relacionamento, em prol da sociedade.”

A partir desse conceito, se entende que, a empresa ao desenvolver um projeto de voluntariado está investindo em uma ação concreta de responsabilidade social, pois está aplicando seus recursos em ações sociais.

Ao desenvolver um projeto desse tipo a empresa estará investindo no seu capital intelectual, pois estará proporcionando ao seu colaborador vivenciar experiências em que poderá estabelecer vínculos sociais profundos com o outro, onde poderá doar um pouco de si e receber muito em troca. O retorno virá em forma de aprendizados, afetos e o desenvolvimento de novas habilidades como capacidade de liderar, de flexibilizar, de comunicar-se melhor, desenvolverá um atitude empática. Com o desenvolvimento do seu colaborador, não há o que questionar: a empresa terá ganhos em produtividade.

Também é uma excelente forma de a empresa fomentar seu diálogo social estabelecendo contatos e obtendo conhecimentos para que possa intervir no social de forma mais estratégica e efetiva. A empresa poderá contribuir para a mudança da realidade de carência e pobreza em que se encontram algumas pessoas.

O voluntariado surge como uma oportunidade para a empresa promover a garantia dos direitos sociais e contribuir para a qualidade de vida das pessoas. A prática dará a empresa vantagem competitiva, pois ao investir em projeto de voluntariado a empresa estabelecerá um relacionamento mais próximo com o seu colaborador, gerando uma sinergia de desenvolvimento e bem estar para todos.

Luiza Manoela – Especialista em gestão de organizações sustentáveis e consultora da Dialogus.


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