Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e Voluntariado Empresarial

Dialogus Consultoria • 23 jan 2017

Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) são uma agenda mundial com 17 objetivos e 169 metas. De acordo com os objetivos e metas, são previstas ações mundiais nas áreas de erradicação da pobreza, segurança alimentar, agricultura, saúde, educação, igualdade de gênero, redução das desigualdades, energia, água e saneamento, padrões sustentáveis de produção e de consumo, mudança do clima, cidades sustentáveis, proteção e uso sustentável dos oceanos e dos ecossistemas terrestres, crescimento econômico inclusivo, infraestrutura, industrialização, entre outros.

No Brasil, o PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) tem feito diversas articulações para a promoção e disseminação dos ODS, convidando governos, organizações da sociedade civil e empresas a fazerem parte desse movimento. Desta forma, as empresas podem e devem contribuir para que estes objetivos e metas sejam atingidos.

Além disso, não só empresas mas qualquer pessoa pode colaborar com o Programa articulando meios para criar ações que contribuam com os objetivos propostos. Dessa forma, o voluntariado empresarial, que se dá pela parceria cidadã entre empresa e colaborador pode ser uma estratégia para que as empresas possam contribuir com essa importante iniciativa de desenvolvimento sustentável.

De forma bem resumida, a empresa pode mapear sua cadeia de valor e perceber que impactos positivos e negativos possui em sua operação em que afetam a comunidade, a partir daí, estabelecer quais ODSs estão relacionados e criar projetos que visem mitigar os impactos negativos, fortalecer os positivos, executando os projetos com o apoio dos voluntários.

A parceria empresa-colaborador pode gerar resultados incríveis para empresa, colaborador, comunidade e sociedade, e, é certo que as pessoas quando percebem conectadas a uma iniciativa que tem um compromisso global sentem-se mais entusiasmadas em se engajar.

Participando na entrega de soluções para o alcance dos ODS, as empresas irão descobrir novas formas de crescimento e terão a oportunidades de reduzir os riscos que travam seu desenvolvimento. Além do mais, podem utilizar os Programa dos ODS para comunicar melhor as suas estratégias, metas e atividades.

Luiza Manoela – Consultora em Responsabilidade Social da Dialogus.

Capitalismo consciente

 

A princípio devemos saber como nos tornamos conscientes como indivíduos, no sentido de querer entender o que nos cerca, o que nos faz criar valor para as outras pessoas e o que nos ampliar a visão de mundo. Comparativamente com as empresas como elas podem se tornar conscientes, como elas podem gerar valor além da maximização dos lucros, como explorar de forma criativa e colaborativa os recursos da natureza e dos seres humanos?

Considerando que as pessoas atualmente acumulam mais informações em pouco tempo, têm mais capacidade de conexão do que no passado, suas expectativas também vêm se transformando rapidamente em relação aos negócios e os papeis que desempenham (clientes, funcionários, fornecedores, comunidade, etc). Em sua maioria, contudo, as empresas não evoluíram proporcionalmente à velocidade destas mudanças de comportamento e por isso, ainda fazem negócios acorrentadas por mentalidades e práticas apropriadas para épocas passadas, não condizentes com o mundo atual.

Estou de acordo com o ensinamento do John Mackey, Co-CEO da Whole Foods Market, quando ele defende que o capitalismo para dar certo não precisa se basear em exploração ou coerção, mas sim em cooperação e trocas voluntárias. Desta forma, podemos partir do pressuposto que os consumidores de uma empresa são livres para escolher onde comprar seus produtos e serviços, os colaboradores contam com as ofertas de emprego existentes no mercado, os fornecedores dispõem de vários clientes para utilizarem o seu portfólio, os investidores estão de olho em diferentes oportunidades de ganho. Em outras palavras as empresas precisam estar alertas e antenadas para engajarem com os stakeholders no sentido de estimularem a cooperação e criação de valor para a sociedade. Diante desta breve contextualização podemos denominar um novo conceito de capitalismo, ou quem sabe, uma evolução deste, chamado de capitalismo consciente – organizações envolvidas em propósitos elevados que sirvam e contemplem os interesses de todos os stakeholders.

Na prática podemos exemplificar este formato de capitalismo quando dizemos que estas empresas disseminam a sua cultura na dedicação e resiliência, capazes de transformar o trabalho em fonte de alegria e inspiração a partir dos líderes empresariais que estimulam a colaboração, criatividade e inovação em todos os processos junto ao stakeholders. Ao aplicar o capitalismo consciente nas empresas devemos observar quatro (04) princípios essenciais:

  1. Propósito da organização;
  2. Engajamento dos stakeholders;
  3. Liderança consciente;
  4. Cultura e gestão conscientes.

São princípios que traduzem bem o jeito de ser de um empreendedor visionário, já que estes raramente pensam em atender a uma necessidade conhecida. Em termos mais práticos digamos que o essencial para a aplicabilidade do capitalismo consciente é gerar valor e melhorar a qualidade de vida para os clientes, colaboradores, fornecedores e parceiros que têm sistemas de valores semelhantes e compatíveis com a da sua organização, em seguida ter líderes que moldem a cultura, ou seja, tenham capacidade de refletir, sustentar e fortalecer os aspectos humanos com os stakeholders e por fim, estruturar a gestão a fim de envolver o amor ao trabalho – impacto positivo – geração de lucro de forma responsável e inclusiva.

Para esclarecer um pouco mais o conceito é que as empresas ao adotarem o capitalismo consciente também podem ser lucrativas e atrativas e não apenas maximizando lucros. Um estudo amplo realizado pela Administrative Science Quarterly (2008) já concluía e afirmava que os líderes visionários (conscientes) se concentravam em propósitos e valores e consequentemente exerciam um forte impacto positivo no valor com os stakeholders gerando resultados satisfatórios financeiros.

Uma empresa que adota o capitalismo consciente se beneficia de alguns ganhos financeiros, tais como:

  • Mais vendas – Por se tratar de uma aceitação maior dos clientes com o propósito, tornando-se leais e fieis à marca;
  • Margens estrategicamente ampliadas – Sendo seletivas com fornecedores e priorizando parcerias com organizações inovadoras e preocupadas com a qualidade de forma consciente;
  • Menos gastos com marketing – Porque as empresas que adotam o capitalismo consciente contam com a legião de clientes satisfeitos e encantados que ganham com a repercussão nas redes sociais e consequentemente visibilidade espontânea;
  • Rotatividade menor (envolvimento maior) – Uma empresa consciente busca contratar pessoas que estejam em harmonia com a finalidade da organização e assim consegue ter uma permanência maior de tempo do colaborador em seu quadro;
  • Custos administrativos menores – Já que as empresas conscientes estão sempre atentas em eliminar despesas que não acrescentam valor, valorizando ideias de colaboradores e dos fornecedores.

Para concluir, então, podemos esperar que a adoção do capitalismo consciente nos traga mais esperança na vanguarda de uma boa gestão dos negócios e na forma de gerar valor a longo prazo, servindo de contraponto ao modelo do capitalismo tradicional e ultrapassado de ganhar dinheiro.

Maiso Dias – Sócio-diretor da Dialogus Consultoria e consultor em Responsabilidade Social e Sustentabilidade.

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As constantes mudanças advindas do desenvolvimento e globalização têm afetado todos os âmbitos da sociedade, sendo necessária uma reinvenção da forma de gerenciar os negócios e as demais variáveis que afetam a sociedade. A Responsabilidade Social nesse contexto está diretamente ligada às transformações que ocorrem e envolvem todos os tipos de organizações.

Em 1916, argumentando a realização de objetivos sociais, a empresa Ford decidiu não distribuir parte dos dividendos aos acionistas e investiu na capacidade de produção, no aumento de salários e em fundo de reserva para diminuição esperada de receitas devido à redução dos preços dos carros.

Posteriormente, em 1919, veio a público o julgamento do caso Dodge versus Ford, nos EUA, que tratava da competência de Henry Ford, presidente a acionista majoritário da empresa, para tomar decisões que contrariavam interesses dos acionistas John e Horace Dodge. Na época a Suprema Corte de Michigan foi favorável aos Dodges, justificando que a corporação existe para o benefício de seus acionistas e que diretores corporativos têm livre-arbítrio apenas quanto aos meios para alcançar tal fim, não podendo usar os lucros para outros objetivos.

Por volta dos anos 50 e 60 que começou-se repensar a ideia da responsabilidade social vigente e expandir seus horizontes nos Estados Unidos, a partir da guerra do Vietnã. Nesta época, a sociedade repudiou a utilização de armamentos bélicos produzidos por empresas norte-americanas, prejudiciais ao meio ambiente e ao homem

No início do século XX, a Responsabilidade Social limitava-se apenas ao ato filantrópico, que inicialmente assumia caráter pessoal, representado pelas doações efetuadas por empresários ou pela criação de fundações. Foi durante as décadas de 1950 e 1960 que as ideias de responsabilidade social como uma forma de atuação ampla começou a expandir-se. A Lei de Filantropia surgida nos Estados Unidos é como um marco conceitual da RS, após sua aprovação, um conceito mais complexo começou a ser estudado por suas novas aplicações na sociedade.

A partir dos resultados da Revolução industrial, com a degradação do meio ambiente e da vida humana pelo trabalho, foi que passaram a surgir novas reflexões sobre o papel das empresas frente às obrigações legais, ambientais e sociais de maneira geral. Assim, uma nova concepção de responsabilidade social emergiu e pautou-se pelo reflexo dos objetivos e valores sociais. Houve o entendimento de que as empresas estão inseridas em um meio complexo, onde suas atividades influenciam ou têm impacto sobre diversos agentes sociais, comunidade e sociedade.

No ano de 1953 surgiu um caso semelhante ao de Ford, que foi julgado nos Estados Unidos, quando A.P.Smith Manufacturing Company versus Barlow. Nesse caso em questão, a decisão da Suprema Corte de Princeton foi contrária aos interesses dos acionistas e interpretou que a corporação poderia sim buscar o desenvolvimento social, estabelecendo em lei a sua atuação social. Posteriormente, a filantropia começou a ser defendida como uma ação válida das empresas para obter lucros, através de ações de responsabilidade social.

O termo RS aparece pela primeira vez em um manifesto, que defendia a responsabilidade dos gestores de indústrias era manter o equilíbrio justo entre todos os interessados, incluindo consumidores, funcionários, acionistas e o setor público. O manifesto foi subscrito por 120 indústrias inglesas.

No Brasil, o surgimento da responsabilidade social não tem um início preciso, existem registros de ações sociais de empresários desde o século XIX, no entanto pode-se indicar a ‘Carta de princípios dos dirigentes cristãos de empresas’ publicada em 1965 pela Associação de Dirigentes Cristãos de Empresas do Brasil (ADCE Brasil) como um dos marcos iniciais, tendo maior significância pela utilização no documento da expressão responsabilidade social das empresas.

A criação dessa associação esteve aliada ao enfraquecimento do Estado do bem estar social e que em conjunto contribuíram para o reconhecimento da função social das empresas. Na época da criação da ADCE Brasil haviam desníveis econômicos alarmantes e atraso em certas áreas no Brasil sendo que a partir do século XX, as várias crises deram início para a firmação de uma sociedade apta para negócios e com poder social.  Ocorreu então uma mudança de paradigma, em que no primeiro momento a empresa devia se mostrar responsável para os seus acionistas, para outra em que devia ser responsável perante sua comunidade, empregados, natureza, governo, rede de fornecedores, consumidores e compradores, atuais e futuros stakeholders.

Após a carta publicada pela ADCE Brasil, houve uma necessidade do empresariado para assumir suas responsabilidades, onde percebeu-se que a atividade empresarial não deveria absorver o empresário, nem transformar-se em fim em si mesma, pois o dirigente de empresa tem obrigação de participar ativamente e com plena responsabilidade, na vida cívica e política da comunidade. Nessa perspectiva, o quadro abaixo, mostra uma síntese dos acontecimentos que sucedem o surgimento da Responsabilidade Social no Brasil.

Período Acontecimento
Século XIX Registro de ações sociais de empresários desde o século XIX.
1965 Carta de princípios dos dirigentes cristãos de empresas, publicada pela Associação de Dirigentes Cristãos de Empresas do Brasil (ADCEBrasil).
1997 2º Encontro Nacional de Dirigentes de Empresas, organizado pela ADCE, no qual o tema central do evento foi o Balanço Social.
1982 A Câmara Americana de Comércio de São Paulo (Amcham- SP) instituiu o Prêmio Eco (Empresa-Comunidade), com o objetivo de incentivar ações sociais.
1980 Surgem os primeiros balanços sociais, ferramenta cuja função principal é tornar pública a responsabilidade social empresarial, construindo maiores vínculos entre a empresa, sociedade e meio ambiente.
1984 É realizado o primeiro Balanço Social de uma empresa no Brasil, o da Nitrofértil, uma estatal de sede na Bahia; em 1985 é realizado o da Eucatex.
1986 É criada a Fundação Instituto de Desenvolvimento Empresarial e Social (FIDES), com o objetivo de humanizar a empresa e promover sua relação com a sociedade.
1987 Surge um grupo denominado Pensamento Nacional das Bases Empresariais (PNBE), durante uma reunião em São Paulo com 2.600 empresários.
1988 É realizada a primeira reunião do que viria a ser o Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (GIFE) com um debate sobre Filantropia.
1992 É criado o Centro de Estudos de Ética nos Negócios (CENE) da Fundação Getúlio Vargas.
1994 Médios e pequenos empresários criam a Associação Brasileira de empresários pela Cidadania (CIVES).
1997 Surge o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), com foco em questões ambientais e integrante do World Business Council for Sustainable Development (WSCSD); ainda nesse ano, o Ibase cria o selo Balanço Social.

Fonte: Elabora pela autora.

Atualmente têm-se um conceito de Responsabilidade Social que vai além de seus primórdios (Filantropia). Conforme o Instituto Ethos de Responsabilidade Social Responsabilidade Social, a RS é a forma de gestão que se define pela relação ética e transparente da empresa com todos os públicos com os quais ela se relaciona e pelo estabelecimento de metas empresariais que impulsionem o desenvolvimento sustentável da sociedade, preservando recursos ambientais e culturais para as gerações futuras, respeitando a diversidade e promovendo a redução das desigualdades sociais.

 

Thays Garcia – Consultora da Dialogus Consultoria

thays@dialogusconsultoria.com.br

 

 


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